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atraversando 31 de jul de 2016 recém nascido rompe a casca rebento envolto em vermelhos óleos revolto nasce maduro como um canto que tanto se estancou ecoa futuros tanto se quis extirpá lo abortá lo considerá lo tumor um vírus em metástase um surto alucinógeno ele era mais filhos de tantos úteros rochedos ele é nascente água pura e violenta desentranhada é aurora bela e radioativa escorrendo em acelerado metabolismo hasteará versos de arrebol pelas ruas bruto e fresco como um fruto cítrico atraversado por yara souza 3 comentários 19 de jul de 2015 acidente de trabalho a máquina tem fome de carne humana graxa sangue suor lubrificam suas presas canibais na cadeia alimentar do capital todos os dias ela come quilos transpirados bebe horas anos de vida gotejada sucuri rija seus dentes às vezes impactam e ela digere de um só golpe um dedo uma mão um braço uma vida carne uniformizada moída não não é acidental atraversado por yara souza nenhum comentário 3 de mai de 2012 transfusão apenas me avise se desejar uma transfusão de sangue saliva ou sinestesias do orvalho que minha corola ocultou tudo que secretei que puder ser injetado todo verso que coagule e te cause reação atraversado por yara souza nenhum comentário 17 de abr de 2012 cubo mágico no vértice da tarde minha cor e a tua tão primárias se expandem por todos os lados poliédricos enquanto outros cubos incolores doloridos gelam o verso do corpo o álcool do copo nossas cores pontiagudas circundam um eixo de vida e se teu movimento preciso calculado encontra ao acaso no mesmo de seis lados minha cor sem rumo é apenas para saber nosso perfeito encaixe atraversado por yara souza 5 comentários 22 de mar de 2011 tintura não preciso me pintar para que borboletas me entendam flor unhas nuas o lábio colorido apenas pelo beijo desprovida de laço de fita de rímel rendas riscos minhas cores próprias únicas não escorrem sob a chuva levo as rubras no peito atraversado por yara souza 15 comentários 17 de fev de 2011 tangente tu tangencias tão tântrico lambendo a beira orgásmica da libido língua solar na borda do seio do horizonte no ponto único crítico e clitórico em que me interceptas toque tão retilíneo da ponta dos dedos sobre minhas curvas neste ponto me encontras tão completa é exata e matematicamente esta tua tanta tentativa de apenas tangenciar que inevitável me perfura atraversado por yara souza nenhum comentário 18 de jan de 2011 nuas uvas as uvas pedem que tua paciência as descasque uvas que se sabem lentas quentes pencas esperadas elas pedem que pouses o breu do teu contemplar sobre claras carnes nuas e só então após e apenas que mordas que chupes uvas com a avidez de vulvas e a delicadez de avencas atraversado por yara souza 5 comentários 18 de dez de 2010 guardados fazem bem as nostalgias e os analógicos presos na relojoaria ouvir vinis e bem te vis na janela e pequenas velharias às vezes prefiro o verso datilografado guardo amores mofados uns trecos grampos pregos potes usados prezo muito este pó sobre os retratos o paletó demodê e o buraco no sapato gosto de deixar as melhores palavras alí na caixa de rascunhos para serem comidas por traças envelhecerem safras gosto de passear no cheiro grisalho dos sebos e do amor que não é para agora guardá lo num velho livro ou naquelas caixas bonitas que não se joga fora deixa que a pressa não faz bem nem ao vinho nem ao poema deixa que o coração é grande e está cheio de cacarecos atraversado por yara souza 14 comentários 1 de dez de 2010 medusa por um segundo me amas e em tua camisa minhas madeixas serpentes mambas negras vivas se enroscam por um segundo encaras meus olhos o verso veneno via iris tão narciso quanto meduso miras o verso por um instante suficiente e em teu peito eu petri fico atraversado por yara souza 7 comentários 23 de nov de 2010 eu cedo o que dar ao poema que acorda eu de leite um resquício de madrugada sonhada insiste derrete no pão aroma fresco nos poros do filtro coando destilando flores colho o trigo reconheço a estação a safra salivando o açúcar a fome matinal do poema cede sabe é cedo ainda atraversado por yara souza 8 comentários 13 de ago de 2010 marcília que se faça silêncio na sala para que marcília pinte os cílios minuciosa ensimesmada se marcília serena e sádica pinta os cílios desapressada se as pálpebras assombradas e sombreadas piscam e desacelerados os cílios curvilíneos em revoada abrem ventos e pausas no tempo apenas faça silêncio nenhum som se emita se os lábios entreabertos se vestem de tons cerejais se o espelho é insuficiente para a síntese pessegal da face de marcília só disfarce e observe a simetria mas faça silêncio para que os cílios de marcília não alcem vôo atraversado por yara souza 3 comentários 11 de ago de 2010 no enquanto beatriz presa na geografia quântica do enquanto o corpo paira no espaço tempo beatriz presa no purgatório beatriz no mar cúmplice do sal permitiu que o vento se esvaísse na fresta entre dunas mas não beatriz não fica em banho maria ela ferve ou congela ao menor toque beatriz não ameniza alquímica e empírica ela cura a seu modo as feridas é dessas que passeia na chuva e só bebe o que for intenso beatriz condensa eutanásica recusa o coma a sobrevida rejeita médias aritméticas meios termos beatriz presa no purgatório a libido no limbo diabólica fabulística aprende a moral da história recua o paraíso não existe beatriz no triz da carne recusa a prisão de dentro do enquanto fez se o pranto e ela não mais quis mergulhou tão abissal no verso nunca mais voltou desenquantou se atraversado por yara souza 2 comentários 19 de jul de 2010 versificado folha de s paulo 17 07 2010 negócios matérias primas www versificados blogspot com atraversado por yara souza 9 comentários 15 de jul de 2010 concreto gosto da poesia que nasce na casca do pão que rompe esparramando migalhas de aroma na mesa antes mesmo de nascer o sol gosto da poesia guardanápica de gosto alcoólico soluçada no bar o verso exalado das camas nas cores vivas das vulvas poesia pornodatilográfica filha das olivettis gosto da poesia que salta dos calos dos dedos rascunhada no papel sujo de suor e graxa poesia que dói as sedes humanas a poesia que nasce suja de líquido amniótico que grita o parto que escandaliza isso sim é poesia concreta atraversado por yara souza 9 comentários 13 de jul de 2010 jazz teu toque é tão grave é nota improvisada que me dedilha trepidando cordas bambeando pernas um swing segue pelo sangue e eu solo se teu jazz me toca eu deixo de ser blue atraversado por yara souza 5 comentários 8 de jun de 2010 intempérie faça solo ou faça coro faça sol ou faça dó eu soprano canto só sou choro faça chuva ou faça clave eu acho a chave e abro o sol na falta de seta siga eu sigo sade se cega a faca se fraco o sangue eu sangro um soul no seu mangue caia o sol ou nasça a chuva faça falta ou seja breve salitre eu sempre levo sob a manga faça sol ou faça sombra eu sofro solo eu faço samba atraversado por yara souza 14 comentários 27 de abr de 2010 operária em tua cútis o que aveluda o que muda tonalidades o pó não é de arroz é de ferro restos de produção fina camada maquiada de cansaço em tua carne operária despida de ferramentas é fim de turno em tua boca sorvo o sono e o café mordo o músculo laboral o lábio tua tão prima matéria teu insumo engrenamos entre fluidos lubrificantes e o que se produz neste instante é inalienável atraversado por yara souza 16 comentários 4 de mar de 2009 poemáquina asdfg hjklç asdfg hjklç tec tec tec nos dedos gregos dactilos meus estilos tipos grafam tipos gritam violenta tecla bate tec tec te cortando alavanca a saltitante letra carimbando folha branca tec tinta tec tinta e troca a fita e apita o fim de linha se saltitantes as letras pousam uma a uma lino típicas utópicas dançarinas se sangram grafias fiam linhas esses tipos atípicos se sustenido o teclado maiu oscula os tipos altos eu tipifico um verso torto atemporal datilográfico pterodáctilo vindo voando de tempos idos os tipos mudam e eu sempre esta máquina de escreverso atraversado por yara souza 20 comentários 28 de ago de 2008 in exata seria possível calcular me resolver me abstrair me descobrir minha raiz meu xis meu milesi mal eu sempre esta tangencial beirando lambendo tocando a pele da tua circun ferida poética universal eu sempre vértice de um triste prisma tentáculo retilíneo de carambola perfurando te eu tirando te dos eixos eu sempre parábola concha côncava abrindo me infinitando minhas linhas eu sempre paralela para todos para ela congruentemente cruzada pelo ângulo de um olhar eu tua beatriz tua bissetriz dividindo te confundindo te para não ser sub traída eu cuidado sempre em minha má temática milimétrica mítica mato atraversado por yara souza 22 comentários 16 de jul de 2008 desembarque um adotivo caminha pela sisuda cidade desnaturada medéia capital do impreciso traço do passo ritmado da perda do siso observa a selva urbe medusamente esparramada de peças mal encaixadas um olhar furtivo pousa nos bicos dos seios da catedral da sé que amamentam sonhos tísicos picos que perfuram neblinas ozônios garoas adentra a esquisofrenia muitas vozes muitas máquinas escarram flores carbônicas ela cinza concretiza um solo árido um útero teimosamente semeado atraversado por yara souza 7 comentários 2 de abr de 2008 ácida deleita se a contradição é um limão e uma lima uma rima desritmada um riso rugindo agridoce temperamentada fermenta raivas picantes aromatiza de lilases a quaresma incendiária ebulicionista artista desroteirizada uma orquidácea poetisa inferniza acidifica a primavera floresce no cinza atraversado por yara souza 3 comentários 24 de mar de 2008 boneca rubra dorme criança emaranhada porque em teu sono descansam afiados trovões dorme boneca cacheada cerra tuas labaredas teus universais olhos tuas longas cortinas de cílios dorme pequena bruxa tua porcelana pintada cobre interior ígneo rochedo em marcha a exorcizar espectros dorme russa matrioshka em teu vestido rodado porque teu sono nublado prepara sereno uma alvorada desalienada atraversado por yara souza 2 comentários 22 de mar de 2008 elo garganta que jorra o banzo e o guizo dentes que beliscam o universo com um sorriso que são liras que são prismas tu provocas tu esfinges com a boca que é foice é fruto é flor música que brota dos dedos dos pulsos dos olhos de semicolcheia dos pés que bailam no palco das veias no momento blue a poesia estava ao meu lado era elo era ela atraversado por yara souza um comentário 29 de fev de 2008 despertar eles acordaram é tempo de vida reprimida canção não há mais lágrimas ínfimas dores se vão e eles despertam explodem os passos da multidão de palavras desgarradas manada estourada eis o sol levantado e a noite acordada a caneta viva e o punho erguido eles despertam raízes entranhando se na terra são brotos que rasgam solos úmidos são teus dedos entranhando o peito meu bombeando ar e sangue e lume e seiva e vida e verso desobstruidores de pulmões e vias públicas destruidores de mansões pútridas ei los como pedras contra o batalhão de choque como toque petalado em tua alma como calma bruma subitamente acordaram velhos naufragados insones insolentes descontentes incomodados eles rompem grades voam de janelas sobem nuvens exalam eucaliptos rodopiam saias carregam bandeiras dissolvem se no sangue e na vodca vívidos ei los como vértices perfurando a carne dos desavisados ei los acordados numa agência bancária numa urgência incendiária fartos dos números do fétido câncer capital ei los despertos abertos perversos meus sufocados versos atraversado por yara souza 3 comentários página inicial assinar postagens atom atraversante yara souza eles rompem grades voam de janelas sobem nuvens exalam eucaliptos rodopiam saias carregam bandeiras dissolvem se no sangue e na vodca vívidos ei los como vértices perfurando a carne dos desavisados ei los despertos abertos perversos meus sufocados versos ver meu perfil completo arquivo do blog 2016 1 julho 1 recém nascido 2015 1 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