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ora até que o relógio da igreja anuncia o fim da tarde então sobe a rua naquele passinho duvidoso de quem há muito perdeu a vontade de voltar para casa do alto da escada olha em silêncio a cidade contempla o ocaso os derradeiros raios do sol batendo na torre da igreja o bando de aves arreliando no bambuzal perto do rio então ele pensa que tudo isso perdeu um pouco da graça que tinha antes agora que está velho velho e solitário senta se na velha poltrona com o gato no colo na frente da tv juntos ficam ali um bom tempo aquecendo a solidão e pensando na vida foto aldo malagoli postado por dalva m ferreira às 17 06 4 comentários quarta feira 13 de outubro de 2021 meu vestido de organdi uma vez nós vajamos para o interior de minas visitar uma tia que morava na roça nem era tão longe assim a questão é que o transporte naquele tempo era bem mais precário primeiro pegamos uma jardineira aquele ônibus antigão com o motor na frente e bagageiro em cima do teto onde viajavam juntos bagagens galinhas porcos e tudo o mais a estrada era de terra por sorte não chovia a partir de certo ponto entretanto tivemos que ir na carroceria de um carro de boi lentamente lentamente ouvindo aquele gemido pungente das rodas ueeeeeeeeeeeeeem até que depois de uma curva na estrada o carro de boi entrou numa fazenda e nós seguimos a pé anda que anda anda que anda por fim chegaram os primos a cavalo para nos encontrar alívio acontece que eu tinha viajado com o meu vestidinho mais chique de organdi cor de rosa era um tecido muito fininho quase transparente em várias camadas formando sobressaias um luxo só que viajando na garupa do vovô foi impossível segurar aquela montoeira de babados para evitar que encostasse na bunda suada da montaria resultado o suor do cavalo repicou o vestido acredita fez um rombo em toda a extensão do contato mas isso eu só fui ver depois muito depois acho mesmo que o vestido ficou na minha sacolinha até o fim da nossa estadia vai ver até que foi isso que fez o suor adquirir esse poder todo até porque a gente tinha muito mais coisas pra fazer acordar cedinho e já correr pro ribeirão nadar entre os meninos e os peixes tomar leite tirado na hora comer fruta madura no pé foi naquela vez que eu me dei conta da dureza da vida na roça todos trabalhavam por ali desde a minha tia senhora já dos seus 50 anos até os filhos pequenos e a enxada amigos só é bonita na mão do outro eu bicho urbano criado nas molezas da cidade grande do ônibus pra todo canto do sapato bom no pé do agasalho e da capa de chuva contra as agruras do clima pude ver o quanto a minha vida era diferente dos meus primos tendo no entanto a mesma idade cedinho ainda escuro eles já estavam na cozinha bebendo o cafezinho ralo mineiro e comendo a broa de fubá generosa que minha tia assava no forno de barro saiam para o eito pitando seu pito de palha já que a plantação ficava a não sei quantas léguas da casa chapelão de palha enxada ao ombro alguns calçados de jeca tatu outros de alpercata outros nem isso e dá lhe enxada e dá lhe capinar o café e dá lhe peneirar café uma labuta que só iria terminar com o sol posto eles voltavam cheirando a suor quietos mas logo se alegravam depois da janta ficavam todos reunidos no alpendre tocando viola e cantando as velhas modas de sempre que falavam valentia de cavalos baios de meninos na porteira e de chalanas sumindo na curva dos rios de amores desfeitos e de colchas de retalho bem guardadas na memória postado por dalva m ferreira às 10 37 um comentário quinta feira 16 de julho de 2020 o rabudinho não comer manga com leite porque é veneno nunca deixar o calçado jogado no chão com a sola para cima porque os pais morrem quando o relógio marcar dezoito horas nunca jamais iniciar ou manter uma discussão uma briga um bate boca jamais coisas da mãe ela contava que no tempo antigo existiu um casal marido e mulher que brigava muito ele gritava com a mulher ela jogava coisas nele era um inferno moravam numa casa pequena de quarto e cozinha e ele sempre ficava no quarto estirado na cama e xingando e ela da cozinha mexendo as panelas e retrucando de vez em quando voava uma caneca uma colher de pau e sempre muitos palavrões dos dois lados um inferno mas um certo dia justamente às dezoito horas começou o tendepá ele chegou em casa meio bêbado como de costume e já veio xingando do portão que aquela mulher não valia nada onde é que ele estava com a cabeça quando casou com aquela vagabunda olha só a sujeira da casa e ela o dia inteiro grudada no rádio escutando novela e deitou na cama de casal bufando espichadão ela como sempre não deixou por menos e retrucou que vagabundo era ele e mais a corja toda da família dele que se soubesse que ia passar a vida inteira enfiada naquele buraco de rato que era aquela casa não teria casado com um inútil feito ele e coisa e tal foi quando os dois olharam para o portal entre o quarto e a cozinha e viram a criatura o rabudinho o rabudinho estava ali gargalhando com aquela risada mais medonha olhando ora para o quarto e ora para a cozinha e torcendo o rabo de gozo com dois olhos enormes e esbugalhados acesos de fogo o casal apavorado não sabia o que fazer então os dois resolveram ajoelhar e rezar só assim o rabudinho foi embora e eu aprendi a ver as horas foto ilustração de feozzy postado por dalva m ferreira às 09 10 2 comentários sexta feira 22 de julho de 2016 contos da tia era uma vez pronto estava instaurado o reino do faz de conta onde tudo era possível a tia sentava se à cabeceira da imensa cama de casal acomodando se entre cobertores e pilhas coloridas de travesseiros a gente se amontoava em volta dela olhos arregalados para não perder nada era uma vez era uma vez num reino bem distante bem prá lá do fim do mundo onde o vento faz a curva longe longe bem longe onde nunca ninguém jamais foi nem iria de t ã o longe tinha um bom rei pai e uma bondosa rainha mãe tinha uma filhinha princesa linda e muito fragilzinha e um príncipe encantado que ia aparecer no final enfrentar o dragão e salvar a princesa colocando o mundo nos eixos como acontece nos reinos distantes porque o bem sempre ganha e derrota o mal e todos vivem felizes para sempre era uma vez e ali entre travesseiros e cobertores estava montada a fantasia que embalava as nossas vidinhas sem graça de crianças pobres da periferia da cidade sem muito acesso ao sonho o tempo se não me engano passava mais devagar a gente acordava bem cedo a tarde passava devagarinho o dia rendia a gente brincava sem brinquedos na rua de terra com a molecada subia nas árvores amarrava balanço a noite demorava a chegar mas quando enfim a noite chegava a gente rodeava a tia pedindo uma história era quase sempre a mesma era o bem contra o mal era o reino muito distante mas era um prazer imaginar cada cena vibrar com o suspense e esperar o desfecho conhecido e foram felizes para sempre a tia hoje é uma velhinha meio surda e meio caduca coitada se duvidar ela é quem gostaria que lhe contassem contos de fada postado por dalva m ferreira às 11 32 um comentário domingo 5 de abril de 2015 causo de assombração dedicado à fernanda ozilak ilustradora e filha a quem assombrei na infância com os meus causos ligeiros éramos bem pequenas as três o meu avô um velho muito alto e que usava chapéu tinha o gostoso costume de esquentar fogo na taipa do fogão toda noite antes de dormir naquele tempo fazia muito mais frio nós suas netas queridas penduradas ao seu redor pedíamos queijo quente na chapa ou pipoca ou bolinho de chuva e que ele contasse um causo de assombração puro masoquismo uma vez que depois de escutar os tais causos tínhamos medo até de andar até o quarto íamos agarradinhas uma na outra e dormíamos com a cabeça coberta naquele tempo ainda não havia televisão então essa era a nossa diversão noturna martírio e delícia um dos causos de que eu lembro era o da loira fantasma e o vaqueiro valentão era assim havia um vaqueiro que era metido a valentão e que gostava de ficar contando vantagem na venda da beira da estrada entre todos os seus colegas vaqueiros que sempre paravam ali para tomar uma pinguinha antes de seguir viagem numa dessas ocasiões alguém contou que alguém tinha lhe contado sobre uma certa mulher loira muito bonita que tinha morrido sem cumprir uma promessa de ir a aparecida do norte e que desde então a falecida aparecia para os viajantes no meio do caminho escuro chorando e pedindo carona o vaqueiro valentão não deixou barato e arrotou que se a tal da loira surgisse não hesitaria em dar a ela um lugarzinho na garupa do cavalo dito isso montou e partiu seguindo o caminho longo e solitário rumo do sertão era noite de lua cheia e a lua alumiava as cercas e as grandes palmeiras à beira da estrada formando sombras magras e compridas no chão de terra avistou a porteira grande duma fazenda e de longe divisou o vulto de uma pessoa sentada era uma mulher loira vestida de branco de longe parecia bonita conforme ele foi chegando mais perto percebeu que ela chorava soluçado que que é isso dona por que essa tristeza toda ela respondeu que ia indo para o norte mas que já estava cansada que era tão longe que nunca chegava o valentão esquecido do assunto da venda ofereceu a garupa a dona não carecia chorar daquele tanto cavalgaram calados debaixo do luar por bastante tempo até que ele percebeu que a mulher não esquentava e o corpo dela grudado às suas costas continuava frio que nem uma pedra nesse ponto ele o lhou para trás e o vovô então fazia uma pausa teatral para acender o pito de palha num tição de lenha enquanto nos achegávamos mais ainda umas às outras conta vô nesse ponto ele prosseguia com voz soturna o vaqueiro olhou para trás e nem queiram saber o que é que ele viu o foi que ele viu vô era o bicho mais feio do mundo uma assombração um corpo seco uma alma penada a loira riu uma risada muito alta e muito feia tarracada na cacunda do vaqueiro e só então o valentão lembrou que levava um patuazinho preso ao trancelim no pescoço com a imagem da virgem valei me minha nossa senhora nessa hora concluia o vovô o bichão feio pulou fora da garupa do cavalo e soverteu numa nuvem de fumaça só ficou aquele cheiro de enxofre no ar n ossa procissãozinha apavorada seguia então para o quarto e dormia agarradinha uma na outra na grande cama de casal de cabeça coberta é claro foto a sombra feozzy postado por dalva m ferreira às 07 30 3 comentários quarta feira 1 de maio de 2013 lembranças eu invejo as pessoas que têm fartas lembranças da própria infância falam dela com riqueza de detalhes falam sobre coisas grandes e pequenas pessoas e lugares que já nem existem mais eu não com muito custo lembro das duas coisas mais remotas da minha vida e ainda às vezes até duvido delas pois podem nem ser uma lembrança minha pode ser que alguém tenha me contado fiapos os bois a minha primeira memória são bois envoltos na poeira da rua eu teria então uns quatro de idade e estava sentada no primeiro degrau de uma escada muito alta tudo era então tão grande na frente da nossa casa lá em minas ao meu lado a minha avó de roupa preta e lenço preto na cabeça me dando cana em pequenos toletes muito doces foi então que apareceu o primeiro boi de uma grande boiada conduzida por homens de chapéu largo na cabeça era um boi medonho ele tinha uma cara grande marrom da cor da terra da estrada e o focinho úmido bufando eu vi o olho do boi me olhando foi coisa de minuto minha avó me puxou escada acima e ficamos lá olhando aquela multidão de lombos suados passando passando interminável enquanto a poeira da estrada subia e se alastrava as rosas então eu já tinha uns cinco para seis anos e já era no porão que alugávamos em são paulo na rua domingos de morais tinha um jardim de roseiras velhas muito altas de tronco grosso e espinhento na porta da cozinha o sol batendo nelas contra o muro branco formava desenhos de sombras dançantes sentada num degrau eu cheirava o ar perfumado de rosas e de feijão cozinhando enquanto sondava as formigas cortadeiras andando em fila indiana e carregando pedacinhos de folhas e escutava as abelhas zumbindo em volta das rosas o mundo mais recente parece que também já está sendo envolto numa espécie de torvelinho uma névoa prestes a desaparecer parece que eu tenho que lutar de alguma forma talvez escrevendo porque mesmo essas cenas de agora também podem a qualquer momento se apagar deletando o que eu fui e o que eu sou postado por dalva m ferreira às 23 44 6 comentários sábado 8 de setembro de 2012 os empregos era o ano de 1969 uma pobreza abençoada eu vivia na margem da margem sem ser marginal mais um passinho e seria uma sem teto mas acho que naquele tempo nem existia o conceito precisava trabalhar já estava me preparando cursava o ginásio industrial da associação cívica feminina hoje colégio olga ferraz no bairro da água branca e à noite fazia o curso de dactilografia asdfg asdfg asdfg asdfg lembra era tudo muito simples para se arranjar qualquer empreguinho digamos de auxiliar de escritório tinha que ter boa aparência seja lá o que isso queira dizer ginásio completo e datilografia ter os documentos em dia também diploma rg título de eleitor e carteira profissional carteira de reservista para os meninos ah e duas fotos 3 x 4 se você fosse contratado chapa do pulmão também esse bando de tuberculosos enrustidos que nós sempre fomos ainda não tinha internet recortava se o anúncio da vaga de emprego nos classificados do jornal perguntava para o fiscal no ponto de ônibus como é que se fazia para chegar na rua da empresa tal e ia para a fila de candidatos fazer o teste e se aprovado a entrevista meu primeiro emprego foi na rua direita no centrão de sampa mas não passei na experiência e assim fui dispensada no primeiro mês foi um mês de muita privação pois eu só tinha dinheiro para comer um hotdog e beber um suco da maquininha não existiam o vale refeição e nem o vale transporte mas eu tinha o passe escolar a cartelona mensal comprada num posto do ministério da educação e cultura na galeria prestes maia embaixo do viaduto do chá o segundo emprego já foi bem melhor graças à ajuda de um político fui trabalhar numa editora no bairro da luz no setor de arquivos o bom homem havia me arrumado dois empregos para eu escolher escolhi o que tinha refeitório porque não queria nem lembrar do cachorro quente a cozinheira da firma nos dava café da manhã almoço e ainda guardava um pratinho de janta pra quem ia direto do trabalho pra escola coisa de mãe o terceiro emprego foi a glória fui ser telefonista no setor de informações da ctb companhia telefônica brasileira na rua sete de abril excelente refeitório salário melhorzinho pude continuar meus estudos pagar o cursinho pré vestibular no etapa entrar na universidade de são paulo cujo bandejão sempre me sustentou hoje eu olho para trás com ternura dou muito valor a todas aquelas experiências e gosto de tudo que fiz eu não faria nada diferente se pudesse voltar no tempo nada e você foto máquina de escrever web postado por dalva m ferreira às 08 18 9 comentários postagens mais ...
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