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encarregam, chamar, resisto, sorrio, isto, rir, antes, ler, faça, confesso, parecer, triunfo, patético, abdico, quero, saber, apelidam, simulacro, cinismo, defender, aprendi, esgueirar, pluralidade, sombras, início, simples, nuvem, recorria, aperfeiçoando, mestre, eterno, aprendiz, exercem, fascínio, arrebatador, ofereço, face, hesitação, espero, obter, perdão, continuar, servi, las, inteira, favorecem, luminosidade, fluência, magia, despida, óbvio, testemunha, sento, visitam, sons, música, gheorghe, zamfir, adocicam, plúmbeo, ferir, folha, desafiar, pensamentos, sentados, baloiço, sentado, nesta, adivinhar, fora, desenham, teias, prende, debruço, abismo, chovia, copiosamente, amainou, baixa, correm, devagar, neste, feito, celulose, pensei, escrever, belo, desisti, wagner, dedicara, isolda, chego, demais, invejo, fernando, inteligente, mordaz, muda, houveram, muros, feitos, apedrejam, ama, insultos, pudesse, suicidar, seis, meses, olhei, imperfeito, fartas, vergastadas, atavios, significantes, respirando, conto, história, têm, heróis, merecem, cultura, tem, intelectuais, impingem, oferecem, passam, electrodomésticos, avariados, ando, agoniado, constantemente, vómito, intelectualidade, leva, vociferar, gostam, fado, abominam, futebóis, trapum, anzóis, olho, splash, pai, mesma, fauna, babam, lambuzam, purificarem, capazes, chás, literários, sardinhadas, literárias, ópera, teatro, alvenarias, caídas, voarão, direcção, sul, conveniente, rouquidão, janelas, portas, boquiabertas, escancaradas, fundos, testiculares, verter, cueiros, excrementos, ladaínhas, imprecatórias, dinossauros, apoucadores, citadores, queira, fossilizado, tempest, uoso, rasgarei, pele, alguém, poderia, perderiam, continuarei, ventos, perderão, voar, pensar, própria, cabeça, armazenistas, especialistas, governação, acharam, graça, acham, preferem, anuência, prenhe, benesses, adulação, estava, hora, mandar, mandou, apelar, morte, nome, desconhecia, estupidez, lua, cheia, cio, preocupara, preço, vasos, submarinos, toda, gente, fala, ralha, culpa, trimestre, chuvoso, outro, esconsa, chefe, emergem, nevoeiros, vertigens, fazem, casa, senão, réstia, mentiras, agoniadas, sufoco, sofrósina, mesmo, estão, dizia, adiante, vergada, peso, olhando, baixo, braço, estivesse, enrolar, atrás, arfava, arfar, cabo, alto, grosso, braços, enterrava, desespero, conseguir, porcos, asas, cuja, ambição, sujar, mundo, atenção, boas, intenções, bastam, erguer, obra, senhores, senhoras, pio, coruja, cão, vizinho, ladrar, almas, luiz, pacheco, seguir, alexandre, neill, daí, houve, sossego, voámos, cima, telhados, três, aproveitavam, atirou, suspensa, cabelos, nós, transpirámos, nuvens, tocar, flauta, ficar, dorido, original, venha, ricos, odeiam, esmolas, sábados, esses, miseráveis, domingos, saída, missa, engraxarem, sapatos, esplanada, chá, iniciarem, peito, rima, louvado, persignam, rostos, perfeita, pureza, certinhos, comboios, tabela, greve, dói, descrever, entanto, acompanha, nenhuns, lembram, 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domingo dezembro 22 2013 0 comentários 07 novembro 2013 da imperiosa necessidade de varrer a vida de ar novo uma espécie de reinício para chegar ao cimo ou subir à copa das árvores se for preciso o deleite da minha infância foi uma ameixoeira havia outras mas era só aquela que eu queria a vida que das raízes me vem publicada por antónio paiva à s quinta feira novembro 07 2013 0 comentários 09 outubro 2013 excerto no restaurante o empregado apanha do chão as palavras que as pessoas deixaram cair enquanto mastigavam os silêncios engomados há muito que tomaram café sobremesa e digestivo já não se usam no guardanapo havia um resto de lábios de mulher deve ter lá ficado num qualquer momento entre beijos e bocejos excerto de ol ou a mesa de todas as fomes inédito publicada por antónio paiva à s quarta feira outubro 09 2013 0 comentários 01 setembro 2013 pacientes são as aranhas navego uma maré de não desperdício verbal tão nítida que ao semear o texto o vou perdendo estou porventura mais eu ou então as palavras assumiram perante mim a sua natureza antropófaga ou ainda sob o efeito da aridez dos dias o sangue queima e o meu caminho de escrita assumiu se um mar de pedra a espaços febre e espasmos pacientes são as aranhas eu não publicada por antónio paiva à s domingo setembro 01 2013 1 comentários 26 agosto 2013 eu na opinião dos mortais os deuses não suam mas ai dos poetas que não suam o suor é a luz dos homens josé gomes ferreira dias comuns iv laboratório de cinzas morrer do desejo de desejar morrer no papel onde escrevo morrer no que digo incapaz de me fazer entender morrer na saudade que nunca tive morrer porque a bem dizer nunca tive nada mas se eu um dia vos pedir guardem me a alma sem me perguntar nada eu antónio paiva publicada por antónio paiva à s segunda feira agosto 26 2013 1 comentários 13 agosto 2013 sempre que morre um ser humano fico incomodado sempre que morre um bom ser humano fico muito incomodado sempre que morre um bom ser humano e bom escritor ou bom artista fico muito mais que muito incomodado dói me é uma dor que não sei descrever há no entanto uma dor que me acompanha todos os dias é que enquanto um bom ser humano e bom escritor ou artista não morre poucos muito poucos quase nenhuns se lembram que ele existe carecendo ele tanto de lembrança publicada por antónio paiva à s terça feira agosto 13 2013 1 comentários 17 julho 2013 é uma crueldade existirem pobres é uma crueldade existirem pobres os ricos odeiam dar esmolas aos sábados é fim de semana será que esses miseráveis não sabem não sabem que ao sábado é fim de semana aos domingos ainda vá que não vá de manhã à saída da missa ou depois de engraxarem os sapatos na esplanada do café ou à tarde depois do chá para além disso ao domingo já é quase segunda feira ao domingo até dá jeito para iniciarem a semana de peito em flor rima com amor louvado seja persignam se com rostos de perfeita pureza tão certinhos como comboios à tabela em dia de greve excerto de ol ou a mesa de todas as fomes inédito publicada por antónio paiva à s quarta feira julho 17 2013 0 comentários 15 julho 2013 excerto de um original que talvez venha a ser um livro porcos sem asas cuja ambição é sujar o mundo mas atenção boas intenções não bastam para erguer uma obra de arte ou a arte em livro ou a vida meus senhores ou a vida minhas senhoras esta noite ouvi o pio da coruja tinha uma alma dentro depois ouvi o cão do vizinho a ladrar tinha pelo menos duas almas dentro depois chegou o luiz pacheco e a seguir o alexandre o neill a partir daí não houve mais sossego voámos por cima dos telhados eram três da manhã enquanto os outros aproveitavam o sono uma mulher atirou se do último andar com a vida suspensa pelos cabelos e nós transpirámos nas nuvens a tocar flauta até o vento ficar dorido publicada por antónio paiva à s segunda feira julho 15 2013 0 comentários 13 julho 2013 cava bem fundo jorge cava bem fundo jorge cava bem fundo dizia me a minha mãe lá mais adiante vergada ao peso da enxada olhando me por baixo do braço como se estivesse a enrolar o corpo no corpo e eu cá mais atrás arfava a bom arfar o cabo da enxada era mais alto do que eu e mais grosso que os meus braços e eu a ver se conseguia cavar bem fundo bem fundo a ver se enterrava o meu desespero por não conseguir cavar tão fundo como a minha mãe queria faz os regos direitos jorge faz os regos direitos era a minha mãe outra vez mãe o país já não está como o deixaste mãe o país já não está como o deixaste eles cavaram bem fundo mãe cavaram mesmo muito fundo mas os regos estão todos tortos mãe muito tortos mãe excerto de publicada por antónio paiva à s sábado julho 13 2013 1 comentários 13 junho 2013 sofrósina disseram lhe que tinha de andar sem pernas e morrer sem apelar à morte disseram lhe que tinha de ser assim em nome de tudo quanto desconhecia uma espécie de estupidez ao jeito de lua cheia e cio nunca se preocupara com o preço dos vasos de manjericos manjericos conhecia muitos sabia dos submarinos como toda a gente à noite fala com o vento que ralha a culpa é de um trimestre chuvoso disse o outro da mente esconsa do grande chefe emergem nevoeiros e vertigens que o fazem sentir cada vez mais longe de casa mais longe de si a vida não é senão uma réstia de mentiras agoniadas um sufoco decidiu pelo privilégio de pensar pela própria cabeça os armazenistas os especialistas e a governação não acharam graça nunca acham preferem a anuência prenhe de benesses e adulação mas ele decidiu que estava na hora de os mandar mandou os e foi à vida dele publicada por antónio paiva à s quinta feira junho 13 2013 0 comentários 09 junho 2013 a respirar a respirar a respirar sobre as alvenarias caídas voarão os pássaros em direcção ao sul como é conveniente há a rouquidão das janelas e as portas boquiabertas escancaradas fundos testiculares a verter dos cueiros nada de excrementos e ladaínhas imprecatórias andam por aí dinossauros andam andam por aí apoucadores as andam andam por aí citadores as andam há quem me queira num sono fossilizado há tempest uoso rasgarei a pele da terra em tempos alguém escreveu e disse que eu poderia atirar as minhas palavras ao vento que elas nunca se perderiam mas agora não agora tudo está perdido não nada está perdido e eu continuarei a atirar as minhas palavras as todos os ventos e nunca se perderão porque as minhas palavras tal como eu sabem voar sabem publicada por antónio paiva à s domingo junho 09 2013 2 comentários 08 junho 2013 a respirar por imperiosa necessidade ando agoniado constantemente a caminho do vómito esta coisa da intelectualidade e do in que os as leva a vociferar que não gostam de fado que abominam futebóis trapum anzóis que não deitam o olho ao splash e à fany e ao pai da fany e outros da mesma fauna mas deitam deitam os olhos e babam se e lambuzam se e depois para se purificarem até são capazes de ir aos chás literários sardinhadas literárias à ópera e ao teatro e e e assim como as guerras têm os heróis que merecem também a cultura tem os intelectuais que lhe impingem e que se lhe oferecem às vezes não passam de electrodomésticos avariados rasga rasga rasga lambe lambe lambe um dia conto vos uma história hoje não é dia publicada por antónio paiva à s sábado junho 08 2013 0 comentários 30 maio 2013 respirando fartas de vergastadas e atavios significantes andam as palavras eu também publicada por antónio paiva à s quinta feira maio 30 2013 0 comentários 14 maio 2013 in livro imperfeito 2010 os sons da música de gheorghe zamfir adocicam este fim de tarde sombrio de um dia plúmbeo a ferir os meus olhos só o branco nu desta folha de papel a desafiar os meus pensamentos sentados num baloiço para cá e para lá e eu sentado nesta cadeira a adivinhar o vento lá fora as minhas mãos desenham as teias do tempo onde a vida me prende sempre que me debruço no abismo ainda há pouco chovia copiosamente agora amainou só esta minha febre é que não baixa e as palavras correm tão devagar neste branco feito de celulose ainda pensei em escrever o mais belo poema de amor mas desisti wagner já o dedicara a isolda e eu como sempre chego tarde tarde demais invejo a alma de fernando pessoa em tudo quanto olhei fiquei em parte escreveu o ele inteligente e mordaz josé gomes ferreira escreveu ah se eu pudesse suicidar me por seis meses a verdade é que tudo muda já houveram tempos em que as guerras e os muros eram feitos de pedras agora apedrejam se as palavras e quem as ama mas não é com pedras é com insultos eu eterno aprendiz da escrita sobre quem as palavras exercem um fascínio arrebatador ofereço lhes sempre a outra face sem qualquer espécie de hesitação espero um dia delas obter o perdão e continuar a servi las a vida inteira só elas me favorecem a luminosidade do pensamento na fluência da sua magia despida do óbvio quem é testemunha disso é a cadeira onde me sento e as palavras me visitam não resisto a recordar enquanto sorrio isto para além de me rir de mim antes que quem me ler o faça confesso que não gosto de ser o último a ter esse privilégio ainda que possa parecer um triunfo patético dele não abdico quero lá saber se o apelidam de um simulacro de cinismo para me defender já aprendi a esgueirar me na pluralidade das sombras no início era apenas uma simples nuvem a que recorria que com o tempo fui aperfeiçoando e hoje estou quase mestre há quem teime em repetidamente chorar lágrimas de amor sob forma de poesia como quem morre de fome no vazio de uma caveira a verdade é que sempre foram os excessos que pariram a fome em tempos os poetas quando tomados pela esterilidade colocavam uma flor na lapela amenizando assim o penar no deserto dos versos muitos dos de hoje relegam a poesia à inferioridade de um nariz comprido e desatam trovejar tempestades vazias com versos enrodilhados em palavras de amor o mais importante no seu entender é vomitar no papel algo que se assemelhe a versos ao que eles mesmos presunçosamente se encarregam de chamar poesia é por esta altura do texto que me começam de novo a martelar na mente as sapientes palavras de josé gomes ferreira queria ter duas bocas uma para beijar e outra para comer assim com uma apenas só posso morder não faço ideia até quando o tronco que me sustenta me acompanhará no nascer e pôr do sol e com ele a seiva das palavras me fará florir os olhos sem fadiga até quando a abençoada chuva de sílabas fará verdejar cada linha até lá que os meus dedos sequiosos de afagar cada letra vivam sem repouso talvez eu tenha a fortuna de não dar conta de o meu tronco secar nem sentir a mente carcomida muito menos de sentir as dores do cerne de mim a apodrecer se assim for a minha pausa entre memórias será gratificante soberba publicada por antónio paiva à s terça feira maio 14 2013 0 comentários 09 maio 2013 blogue oficinas de escrita criativa aos amigos leitores e visitantes sugiro uma visita a este meu sítio grato publicada por antónio paiva à s quinta feira maio 09 2013 0 comentários 28 abril 2013 lugares de outros tempos fico aqui ao crepúsculo com vontade de fazer chorar as palavras recordo a velha ponte que atravessa o rio os salgueiros nas margens onde os melros faziam ninho os milheirais de verdes e grossas espigas que mais tarde aloiravam o pequeno anzol suspenso por um fio de nylon amarrado na ponta da cana da índia foi há tanto tempo eu descia a serra por ténues carreiros que serpenteavam os troncos dos pinheiros o destino era o mondego o rio uma linha de água límpida no leito do rio era possível ver o cascalho pedrinhas de tantas cores delicadamente polidas pelas águas à sombra dos salgueiros pequenos barcos amarrados eu pulava para dentro deles e fazia os baloiçar as águas ondulavam em círculos que se alargavam até desaparecerem eu sabia que aquele rio ia desaguar no mar mar esse que eu nunca tinha visto imaginava o do que lia nos livros da escola primária se aquele barquito fosse meu tal como eu desejava ia rio abaixo até à foz a foz do meu imaginário a foz dos meus sonhos um milhão de vezes maiores que o meu tamanho conheci esse mar essa foz já com doze anos de idade foi o deslumbre fiquei extasiado aquele mar imenso a perder de vista aquele vai e vem das ondas que eu só conhecia dos meus sonhos a espuma beijava o extenso areal os meus olhos a saltar das órbitas o meu pensamento corria mais depressa que as minhas pernas aquilo era tanto um miúdo da serra sentia se filho do mar inesquecível ironia do destino hoje vivo rodeado de mar apesar disso não esqueço as minhas origens orgulho me delas talvez seja por isso que o mar sempre me recebeu tão bem recordo o cheiro dos pastos das veredas dos matos dos pinhais os caminhos de terra por onde conduzia o pequeno rebanho de cabras e ovelhas sei os de cor os sítios onde me sentava para devorar os poucos livros que conseguia arranjar todos eles dados ou emprestados era assim que passava o tempo enquanto pastoreava o pequeno rebanho viajava nas páginas daqueles preciosos companheiros tantas vezes os reli por serem tão poucos mas cada vez que os lia era como se fosse a primeira vez era por ali que fazia também os deveres da escola entre uma espreitadela ao gado e as melodias do canto dos pássaros todas as matérias me pareciam fáceis e orgulhava me disso nunca me sentia cansado ou enfadado sabia de todos os lugares onde os pássaros faziam os ninhos espreitava os às escondidas via os ovos mais tarde as pequenas criaturas acabadas de sair da casca o seu chilrear faminto as idas e vidas dos pais para os alimentar mas nunca tocava nos ninhos sabia que as aves enjeitavam os ninhos quando se lhes tocava eu que gosto tanto de pássaros não queria que aquelas inocentes avezinhas fossem abandonadas pelos progenitores por incúria minha gosto de recordar com orgulho quando aos sete anos de idade pedi à minha mãe que me concedesse um pequeno pedaço de terra para eu poder semear sozinho algumas batatas ao que ela acedeu um pouco renitente dando me um pequeno rectângulo de terreno sombrio e pouco produtivo eu não me importei deitei mãos à terra e às sementes cavei abri regos coloquei as sementes estrumei e adubei satisfeito com o meu trabalho fiquei a aguardar o resultando esperando com o passar do tempo e visitando o local amiúde comecei por ver as frágeis folhas a romper a terra eu sorria de contente foram crescendo ficando cada vez mais fortes até que chegou a altura de as colher eu ansioso peguei na enxada e dirigi me ao local e comecei a cavar cuidadosamente para não as estragar para meu espanto e para o espanto de todos eram batatas enormes e em boa quantidade eu não cabia em mim de felicidade a partir dali nunca mais parei de semear o que me apetecia de plantar árvores tal como as árvores que fui plantando também eu fui crescendo hoje tenho um pouco de todas elas dentro de mim as minhas memórias são o suporte do meu presente a alavanca para algum futuro que eu possa ainda ter não que eu esteja preso a memórias mas guardo as com muito orgulho e delas faço uso em muitos momentos farei sempre parte de um bando de aves à procura de uma ilha...
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