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ta você cansou de ouvir mas só agora pode ter certeza a chuva nunca mais fez o mesmo desenho no vidro o mar nunca mais a mesma pose para a fotografia sua música preferida só tocou no momento certo naquele dia o poema deixado para depois hoje não vale mais nada há rimas que mofam que perdem o significado consegue entender agora acredita não era autoajuda barata previsão de cigana mentirosa horóscopo de jornal vagabundo conselho de velho morrendo carta falsa de tarô não volta mesmo e espero que na cópia desta mesma carta a ser aberta novamente daqui a dez anos seja menor o arrependimento estão lacrados os próximos envelopes lambidos selados trancados mas eu já aviso dentro deles o mesmo texto não volta tatue no braço grude post its escreva com carvão pelas paredes com as unhas compridas arranhando a terra histórias de verdade não se rebobinam posted by eduardo baszczyn 4 6 13 30 4 13 um dia nos tornamos aquilo que fingimos ser posted by eduardo baszczyn 30 4 13 5 4 13 no guia da folha baszczyn indicado com o melhor romance desamores de autor estreante na primeira edição do prêmio são paulo de literatura em 2008 volta agora com cuidado com pessoas como eu um livro onde uma narradora feminina luísa tenta organizar um mundo pessoal em colapso a história toda se passa enquanto o ex companheiro da narradora bate à porta do apartamento para onde volta em busca das coisas deixadas para trás na separação em mais de 200 páginas luísa desvela um monólogo interior circular como se sua consciência estivesse presa dentro de uma camisa de força e nem a linguagem fosse capaz de ajudá la na tarefa de estabelecer sentido seja a partir das mémórias do passado seja sobre as experiências físicas e sensoriais do presente entre ameaças de suicídio lembranças de traumas da infância e trechos de diálogos luísa tenta encontrar na desordem da mente uma força que a faça interromper esse reflexo amador roberto taddei escritor jornalista mestre em escrita criativa pela columbia university de nova york professor do curso de pós graduação em formação de escritores do instituto de ensino superior vera cruz posted by eduardo baszczyn 5 4 13 2 4 13 vida golpe sopro golpe sopro golpe sopro golpe sopro golpe sopro golpe sopro golpe sopro golpe sopro golpe sopro golpe sopro golpe sopro golpe sopro golpe sopro golpe sopro golpe sopro golpe sopro golpe sopro golpe sopro golpe sopro golpe sopro golpe sopro golpe sopro golpe sopro golpe sopro golpe sopro golpe sopro golpe sopro golpe sopro golpe sopro golpe sopro golpe sopro golpe sopro golpe sopro golpe sopro golpe sopro golpe sopro golpe sopro golpe sopro golpe sopro golpe sopro golpe sopro golpe sopro golpe sopro golpe sopro golpe sopro golpe sopro golpe sopro golpe sopro golpe sopro golpe sopro golpe sopro golpe sopro golpe sopro golpe sopro golpe sopro golpe sopro golpe sopro golpe sopro golpe sopro golpe posted by eduardo baszczyn 2 4 13 1 1 13 cuidado com pessoas como eu da porta para dentro é o que comumente acontece quando queremos nos referir a coisas íntimas privadas subjetivas só assim sentimos a nossa intimidade protegida a portas fechadas essa é a questão que atravessa cuidado com pessoas como eu de eduardo baszczyn colocada concretamente na forma de abrir ou não uma porta vamos à história uma mulher luísa foi abandonada pelo homem que amava ela está dentro do seu apartamento enquanto do lado de fora está o homem que a deixou e que bate vigorosamente na porta para entrar e pegar os restos dele luísa se recusa a abrir a porta e ele por sua vez se recusa a parar de bater e a história deles permanece parada sem avanços nem recuos na aspereza do não encontro cada um de um lado da porta atrás de seus restos de amor com essa moldura inicia se o monólogo da protagonista catártico compulsivo eloquente ininterrupto no qual ela nos fala não só da relação do casal como das reminiscências de sua infância desabada sobre sua própria história luísa narra sobretudo sua dor de existir na qual ela menina errada como ela mesma diz também se sente abandonada pelos pais o inferno pode tomar todas as formas trata se de um relato às vezes cruel doloroso pungente nele baszczyn nos conduz com mão firme em uma narrativa ágil bem construída com toques de lirismo na qual ele combina a leveza da forma com a intensidade do tema algumas pessoas deveriam escolher enfim o que querem ser na nossa vida âncora ou asas diz em algum momento a personagem este é o segundo romance de eduardo baszczyn com o primeiro desamores ele foi finalista do prêmio são paulo de literatura na categoria estreante cuidado com pessoas como eu confirma o talento de uma voz autoral que veio para ficar livia garcia roza meu novo romance está chegando aos poucos às livrarias caso não encontre encomende com o vendedor o livro também pode ser comprado pelo site da editora 7letras exemplares autografados serão vendidos pelo e mail desamores arroba gmail ponto com mas apenas a partir de março posted by eduardo baszczyn 1 1 13 19 9 12 abscessos tumores nódulos pedras posted by eduardo baszczyn 19 9 12 1 8 12 raduan ai daquele que brinca com fogo terá as mãos cheias de cinza ai daquele que se deixa arrastar pelo calor de tanta chama terá insônia como estima ai daquele que deita as costas nas achas desta lenha escusa há de purgar todos os dias ai daquele que cair e nessa queda se largar há de arder em carne viva ai daquele que queima a garganta com tanto grito será escutado por seus gemidos ai daquele que antecipa no processo das mudanças terá mãos cheias de sangue ai daquele mais lascivo que tudo quer ver e sentir de um modo intenso terá as mãos cheias de gesso ou pó do osso de um branco frio ou quem sepulcral mas sempre a negação de tanta intensidade e tantas cores acaba por nada ver de tanto que quer ver acaba por nada sentir de tanto que quer sentir acaba só por expiar de tanto que quer viver posted by eduardo baszczyn 1 8 12 2 3 12 adélia venha sem guarda chuva mesmo se estiver chovendo posted by eduardo baszczyn 2 3 12 29 2 12 valéry como isto também sou eu disse a serpente retorcendo se para a ponta longínqua de sua cauda e ela se espantava de fazê la remexer se de tão longe sua e não sua posted by eduardo baszczyn 29 2 12 3 12 11 das coisas que destruímos pelo caminho porque às vezes basta um sopro posted by eduardo baszczyn 3 12 11 20 7 11 pausa vim abrir as gavetas porque palavras também podem mofar eu sei vim varrer as teias dos cantos e soprar a camada de pó sobre os móveis para que a casa não pareça abandonada vim recolher a pilha de cartas que interrompia a abertura da porta os envelopes quase desbotados espalhados pela entrada dar comida aos gatos jogar o lixo vim para deixar um bilhete pendurado no canto do espelho escrito em letras tortas e apressadas para os que ainda entram neste quarto escuro tateando pelas paredes estou finalizando o próximo livro por isso as gavetas permanecerão fechadas até o ponto final ser colocado no romance ps para os que ainda não leram o primeiro apesar de estar esgotado nas livrarias existem alguns últimos poucos exemplares em uma estante do outro cômodo eles podem ser adquiridos por aqui desamores arroba gmail ponto com entre uma página e outra do novo livro ainda sobram forças para aparecer rapidamente no twitter baszczyn em breve as janelas estarão novamente escancaradas e haverá luz e ar e haverá alimento para que o que está guardado nas gavetas possa sobreviver até lá posted by eduardo baszczyn 20 7 11 13 6 11 palavras fazem comigo o que bem entendem posted by eduardo baszczyn 13 6 11 18 5 11 qual o fim do caminho que não escolho posted by eduardo baszczyn 18 5 11 27 4 11 você por um corredor sem portas um labirinto mal construído uma casa de espelhos que apenas deformam seu reflexo por todas as paredes você em um parque infantil de beira de estrada em uma montanha russa sem freios em um carrossel colorido que gira em alta velocidade as pernas soltas em um teleférico de cabos enferrujados atravessando um jardim de cactos você sem poder parar rodando em um brinquedo quebrado o vômito formado no estômago a ânsia engatilhada na garganta fechando a passagem de um grito você no escuro tateando as paredes de cimento ralando as mãos tropeçando pela casa abandonada esfolando os joelhos como em um castigo sobre o milho você preso do outro lado do vidro observando o outono de cores secas folhas caídas são um tipo de morte você acorrentado nos fundos sem afago água comida mudo por uma coleira que corta os seus latidos você com insônia em cima de uma cama de pregos os fantasmas fora dos armários as gavetas trancadas os frascos de remédios vazios você enxotado por espantalhos ajoelhado em uma guilhotina fechado em um quarto com paredes de tecido você procurando escadas mas não há nada lá em cima posted by eduardo baszczyn 27 4 11 20 4 11 vermelho amargo dói dói muito dói pelo corpo inteiro principia nas unhas passa pelos cabelos contagia os ossos penaliza a memória e se estende pela altura da pele nada fica sem dor também os olhos que só armazenam as imagens do que já fora doem a dor vem de afastadas distâncias sepultados tempos inconvenientes lugares inseguros futuros não se chora pelo amanhã só se salga a carne morta bartolomeu campos de queirós posted by eduardo baszczyn 20 4 11 5 4 11 adélia a uns deus os quer doentes a outros quer escrevendo posted by eduardo baszczyn 5 4 11 3 3 11 viver é mais do que posso posted by eduardo baszczyn 3 3 11 3 2 11 pedras o que fazer com um bolso cheio de pedras pular em um rio ou sair quebrando vidraças posted by eduardo baszczyn 3 2 11 28 1 11 palavra úmida a cia dos homens reestreou no recife o espetáculo palavra úmida a apresentação leva para uma piscina seis bailarinos que desenvolvem suas coreografias dentro da água parte de uma reportagem da folha de pernambuco explica o que as palavras desta gaveta têm a ver com a história a montagem conta com projeção de imagens e efeitos especiais idealizados por murilo malta também responsável pela cenografia o teatrólogo joão denys emprestou sua voz para narrar o texto na água do escritor paulista eduardo baszczyn a trilha sonora é predominantemente instrumental destaque para uma canção especialmente concebida para a abertura do espetáculo criação do músico pernambucano mário lobo e para edson cordeiro que assina a única música cantada se estiver no recife corra ver na água eu piso no que sobrou do choro eu piso no que sobrou da chuva enfio meus pés no suor que escorreu do meu corpo na água que nasceu pura na sujeira saída do banho eu piso no caldo na mistura é nela que me fortaleço na água que entra pelos vãos dos meus dedos na que sobe até a cintura é nela que eu me inundo com ela que eu cresço como raiz que se alimenta do que está no vaso absorvo de volta o que transbordei lágrimas de amores errados saliva caída de beijos suor escorrido pelas costas medos que transpirei eu piso no que já foi tempestade e agora é poça na água que já foi benta e agora é profana eu piso no que já foi batismo e agora é pecado no transparente que agora é opaco é na mistura que me fortaleço eu piso sugo engulo tomo de volta o que já foi meu o que veio com a chuva o que a corrente não levou o que ainda não secou eu me encho me derramo eu piso na água pra poder mudar com a lua balançar como onda acompanhar a maré eu piso na água pra poder voltar para o lugar de onde fui expulso pro úmido silêncio escuro do útero eu piso na água pra renascer posted by eduardo baszczyn 28 1 11 18 1 11 dos livros de física para cada ação uma reação contrária na mesma intensidade posted by eduardo baszczyn 18 1 11 6 1 11 ana c c inéditos e dispersos pág 196 posted by eduardo baszczyn 6 1 11 29 12 10 talvez seja bom que você saiba que eu coleciono rancores desejo coisas ruins cuspo na maioria dos pratos que já mataram a minha fome gosto da inveja da cobiça de planos mirabolantes para destruir quem precisa ser derrubado as peças inúteis que obstruem caminhos no tabuleiro onde sobrevivo eu acho o amargo melhor do que o doce a vingança mais sábia do que o perdão o olho por olho mais justo do que a inocência rídicula da compaixão eu falo por trás esquentando orelhas beijo faces indigestas com a doçura de judas escondo raiva atrás de silêncios ódio debaixo de sorrisos as facas afiadas nas mãos para trás há anos envio buquês que escondem plantas carnívoras cartas com artefatos explosivos flores de mentira que espirram água no meio das caras gosto da umidade das cavernas do escuro dos quartos fechados do silêncio das ruínas do vazio das gavetas mofadas eu preciso do sossego do meu ninho das outras cobras perigosas eu se for cutucado aviso não há antídoto pro meu tipo de veneno posted by eduardo baszczyn 29 12 10 19 12 10 deste lado do mundo a noite chega mais cedo e é na cegueira do escuro que a memória mais gosta de sair à caça posted by eduardo baszczyn 19 12 10 15 12 10 mar na burrice desesperada da fome morro abocanhando sempre os mesmos anzóis posted by eduardo baszczyn 15 12 10 8 12 10 joão c de m n assim como uma faca que sem bolso ou bainha se transformasse em parte de vossa anatomia qual uma faca íntima ou faca de uso interno habitando num corpo como o próprio esqueleto de um homem que o tivesse e sempre doloroso de um homem que se ferisse contra seus próprios ossos posted by eduardo baszczyn 8 12 10 3 12 10 roma outono de dois mil e dez vi um homem roubando desejos do fundo de uma fonte posted by eduardo baszczyn 3 12 10 23 11 10 há beleza nas coisas mortas posted by eduardo baszczyn 23 11 10 18 10 10 uma quarta capa escrevo em folhas de papel você recolhe e guarda temendo desaparecerem alguma coisa se perderia se elas nunca fossem lidas talvez nada porque escrevo apenas para me livrar da memória esses rabiscos são o meu esquecimento lembra as pinturas rupestres nas paredes da caverna que visitamos alguém desejava livrar se da memória que o incomodava e pôs se a desenhar e pintar nas pedras escrever é a maneira mais simples de morrer embora muitos achem que é o único modo de permanecer vivo ronaldo correia de brito na quarta capa de retratos imorais posted by eduardo baszczyn 18 10 10 meu livro na folha de são paulo no jornal do brasil onde comprar livraria cultura livraria saraiva livraria da vila submarino livraria siciliano editora sete letras livraria fnac autografado desamores gmail com twitter baszczyn crtl c crtl v nas gavetas de baixo janeiro 2005 fevereiro 2005 março 2005 abril 2005 junho 2005 julho 2005 agosto 2005 setembro 2005 outubro 2005 novembro 2005 dezembro 2005 janeiro 2006 fevereiro 2006 março 2006 abril 2006 maio 2006 junho 2006 julho 2006 outubro 2006 novembro 2006 dezembro 2006 janeiro 2007 fevereiro 2007 março 2007 abril 2007 maio 2007 junho 2007 julho 2007 agosto 2007 setembro 2007 outubro 2007 novembro 2007 dezembro 2007 janeiro 2008 fevereiro 2008 março 2008 abril 2008 maio 2008 junho 2008 julho 2008 agosto 2008 outubro 2008 novembro 2008 dezembro 2008 janeiro 2009 fevereiro 2009 março 2009 abril 2009 maio 2009 junho 2009 julho 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