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este chão que piso este chão que piso poetar pesquisa personalizada acerca de mim josé alberto valente braga portugal sou sonhador lirico e o chão que piso é uma busca incessante ver o meu perfil completo lista de blogues luso poemas a fresta idália há 4 horas http 7pecados blogtok com os 7 pecados capitais vaidade no tempo há 8 anos teoria dos calhaus crónicas de choro e riso foto rumah minimalis sederhana modern 1 dan 2 lantai há 11 anos palavras soltas festas felizes há 11 anos poesia de paulo afonso ramos em torres vedras há 12 anos http poesia blogtok com alimento da alma troca de turno há 13 anos olhares epifania há 15 anos o canto da rosa o encanto do reencontro há 15 anos stoneartportugal a minha vizinha há 15 anos http jaber blogtok com um poeta em construção duas irmãs à conversa há 16 anos o ente do ser um novo blogue há 17 anos momentos poesias momentos e poesias vermelho canalha poéticas palavras no caminho das emoções impulsos a sopa está fria onde publico luso poemas arquivo do blogue 2010 19 abril 3 o sol por uma fresta igreja ferida de morte barco de papel março 1 fevereiro 10 janeiro 5 2009 148 dezembro 2 outubro 8 setembro 12 julho 7 junho 9 maio 15 abril 22 março 21 fevereiro 21 janeiro 31 2008 6 dezembro 6 visitantes música get this widget track details esnips social dna seguidores subscrever mensagens atom mensagens comentários atom comentários quarta feira 14 de abril de 2010 o sol por uma fresta o manuel levantava se com os primeiros raios de sol que escorriam pelas frestas da persiana do t1 que habitava com a madalena e seus dois filhos ia para a casa de banho onde fazia a barba e enganava a sujidade com umas borrifadelas de água gelada nos sovacos e nas virilhas que o gás para o esquentador só com o 13º se conseguia o resto do ano aquecia se a água para os banhos e de manhã não havia tempo nem pachorra para isso o manuel depois de acordar a mulher marchava porta fora com o estômago enganado por uma bucha de pão seco entalado por um chá de cidreira e juntava se à turba humana que ia saindo dos prédios vizinhos e lhe faziam companhia silenciosa só interrompida pelas saudações da praxe com as mãos enfiadas nos bolsos e as golas levantadas ao vento cortante que zurzia as orelhas e a dignidade aquela multidão ia engrossando ao mesmo tempo que as distancias das fábricas iam encurtando depois desfaziam se cada um seguindo caminho para a fábrica de destino depois o manuel e os companheiros entravam nas secções barulhentas de máquinas em movimento cadente e monótono num trum trum trum trum que ecoava no cérebro desde que se lembrava ainda miúdo quando acompanhava o pai as primeiras vezes para aprender o oficio o manuel não conheceu a internet só a conheceu de ouvir falar o manuel não conheceu os netos exaurido por uma vida sem sentido o manuel não amou casou porque era tradição o manuel não deixou herança tem uma lápide com o nome gravado numa placa de granito polido o manuel não tem idade tem os anos que os filhos de lembram uns sessenta e tais o manuel não sabe se foi infeliz simplesmente porque nunca conheceu a felicidade o manuel não viveu viu viver no caminho que fazia de casa para a fábrica e vice versa o sol sempre nasceu para o manuel pelas frestas da janela ainda lhe incomodam o sono com outros truns truns sempre que vem um outro manuel para o seu lado e lhe cerram o caixão ali perto o manuel podia ser o josé ou o antónio mas era o manuel porque a lápide assim diz publicada por josé alberto valente à s 22 35 2 comentários segunda feira 12 de abril de 2010 igreja ferida de morte não sou muito de modas nem sequer de correntes quer de opinião quer de qualquer outra coisa como aquelas parvoíces que de vez em quando me caem na caixa de email para enviar para mais não sei quantos incluído para a pessoa que enviou normalmente com imagens ridículas de cristo ou um outro qualquer símbolo religioso chego a sentir pena de quem acredita nisso devem acreditar caso contrário porque me mandariam não sou nem nunca fui seguidista porque entendo que há sempre uma reserva de opinião própria sobre tudo e sobre todos e uma história e sua veracidade e até o seu desenlace dependem muito de quem a conta quando miúdo era muito crente acreditava piamente na religião e nos seus insondáveis dogmas começou essa crença a esbater se com a leitura e conhecimento e com a negação de que a própria igreja estabelece naquilo que lhe serve de suporte à sua fé de coisas que devem ser interpretadas literalmente e outras que devem servir de meios de comparação conforme as necessidades que a própria igreja confere em função do tempo que vive e das justificações que necessita para os sortilégios que fabrica e esconde a seu bel prazer aqui há uns tempos um bispo brasileiro cometeu o pecado para mim não deixa de o ser de roubar a uma criança de 9 anos a crença em que foi educada porque essa criança foi violada e como praticou aborto de uma gravidez produto desse acto foi unilateralmente excomungada com o beneplácito do vaticano esse mesmo vaticano que é governado por uma sinistra personagem que enquanto dirigiu a congregação da fé no episcopado de joão paulo ii se achou no direito de escamotear crimes ao nível do mais horrendo que podem ser praticados pelo ser humano propondo até em alguns casos a reintegração dos causídicos nas mesmas paróquias em que os factos foram conhecidos desde que começaram a ser conhecidos os casos de boston seguiu se a irlanda e agora também do continente africano chegam nos ecos desses abusos perpetrados sobre os pobres entre os pobres fui educado num colégio interno vulgo seminário durante um período da minha vida facto que já relatei em algumas crónicas de índole intimista e auto biográfico nunca fui assediado pessoalmente a nível sexual mas fui várias vezes espancado por simples notas menos boas ou por falar para o lado na sala de estudo lembro me da alimentação frugal que nos era servida e de um miúdo que ficou com as mãos inchadas da palmatória com que foi castigado por ter pegado em mais de um pão lembro me dos nomes de quase todos os padres que cometiam esses abusos físicos no seminário menor de braga conhecido como a tamanca lembro me que a cultura do castigo físico era o principal meio de educação nesse sítio tenebroso em meados dos anos 80 lembro me que à boca pequena se falava deste ou daquele padre que gostava de passar pelas casas de banho de manhã quando fazíamos as abluções diárias lembro me do emérito bispo d eurico falar em disciplina no sermão de boas vindas estranhamente era assim que lhe chamavam aos novos garotos que arribavam ali com cara de assustados cujo choro ecoava nos vastos dormitórios lembro me que éramos crianças simples e crentes lembro me que nos roubavam essa fé à chibatada que zurzia inclemente na barriga das pernas deixando marcas durante semanas na altura eu não percebia nada hoje ecoa me em comparação as memórias do marquês de sade e nem sequer se pode dizer que eram uns poucos como querem agora fazer crer era a própria cultura de todo um ensino de toda uma diocese que o sr bispo se encarregava de abençoar publicada por josé alberto valente à s 23 42 sem comentários domingo 11 de abril de 2010 barco de papel a folha em branco à minha frente é todo um mar de sugestões longe de ser vazia é o verde esmeralda do mar que te enovela os cabelos branca sim a cor leitosa da tua pele que me embriaga o tacto translúcida a imagem que me perpassa do teu olhar e se esbate no meu nas íris que perscruto em busca não sei de quê mas que tu me descobres no brilho que lhes imprimes é de papel o barco que sou nas flutuações do teu sentir vogo ao sabor do teu querer como rasgar a minha folha ainda que em branco permaneça publicada por josé alberto valente à s 23 05 1 comentário domingo 7 de março de 2010 improvisos na praia do tamariz sopra me no rosto a brisa amena que deposita nos meus lábios um sabor salgado e nos olhos promessas de infinito o mar que me vem beijar os pés numa corrente translúcida devolve me a ternura de tempos que julgo ter passado que julgo ter provado algures entre a realidade e o sonho e adivinho já aí no revolver de cada onda que me renova a promessa do desejo temperador fica a espuma a espraiar se preguiçosa e dolente numa comodidade aconchegante já não tenho saudade só o desejo que a próxima onde me agite de novo publicada por josé alberto valente à s 16 52 sem comentários quarta feira 24 de fevereiro de 2010 esqueleto à beira mar plantado degolam a palavra pelo simples e egoísta acto de matar idiotas inúteis ocos entre o parietal e o frontal corre lhes nas artérias exangues um pútrido líquido que esparramado pelo nasal contamina suínos à peste humana admiram a unha tratada na ponta da falange raspam o sabugo engordurado pelos que rompem a cervical a engordar lhes os fígados hepáticos longas vidas têm as bestas que da ciática se livram à custa de quem rompe as rotulas a encerar lhes o lídimo piso onde assentam as plantas que lhes suportam os cuneiformes debitam diarreias para audiência de campânula em riste ignara dos riscos que os tímpanos sofrem ao oferecer a tuba auditiva aos rectos falantes abanam as clavículas em jeito contristado e pesaroso as pobres audiências que lhes sufragaram o direito de perdigotar aleivosias continuando a romper falanges nas plainas alisantes da madeira onde sentam o sacro cu despontam como papoilas na primavera os gordos asnos sufragados para um povo que lhes merece o peso que pela força não os desencadeira e por uma cruz os legitima publicada por josé alberto valente à s 22 57 sem comentários domingo 21 de fevereiro de 2010 primavera do céu para onde vais andorinha de asa ao vento assim cansada vais para longe vens de longe sempre em busca da alvorada que te acolha e te sossegue esse quebradiço voar num golpe de asa sem fim que vem lá de lá do mar se eu pudesse mãe coragem substituía me às monções fazia te um ninho no meu peito que te abrigasse todas as estações publicada por josé alberto valente à s 14 29 sem comentários sábado 20 de fevereiro de 2010 entre mim e eu encostado no corrimão da minha paciência sustenho o ar num acervo de agonia no passo que me recuso a dar ao degrau seguinte preso por uma linha imaginária que se prende entre o ascendente e o descendente nunca sei qual o degrau que piso não sei se subo se desço se fico se vou abro a gaveta da memória aquela bafienta onde arrumo o que não gosto e num pressuposto absoluto de limpeza sopro o pó remanescente que emerge no ar e aproveito para enfiar na narina na tentativa de me etilizar no estado sereno da insensibilidade necessária para abordar o que ali arrumei de tempos que não quero recordar aos quais não quero voltar estufo o peito num abafado de vinha de alhos e dou o passo na direcção do degrau que se precipita no abismo que me atormenta os sonhos de quando em vez caio caio e o fundo nunca aparece sempre a cair numa queda sem fim acordo nesse terror de uma queda abrupta no infinito e alvoraçado como um bote de borracha que se esbate com as marés rompo a quilha na aresta de rocha e vagueio no ar feito balão que se esvazia e vai batendo pelas esquinas até cair inerte no chão do meu desolamento nesse acordar onde não distingo a razão da minha insanidade as pálpebras recusam se a abrir o corpo não me obedece sei que acordei mas o meu corpo não sabe como companhia tenho o silencio e a negritude a que o meu corpo me condena na insanável recusa de olhar já não sou rio que rompe margens não sou mar de águas amenas que te vai beijar sou assim uma espécie de regato que se estiola nos rigores do estio e mirra seco nas brechas das montanhas que me emparedam vejo me agora de cima com um sorriso cínico eu vejo mas o meu corpo não sabe publicada por josé alberto valente à s 22 13 sem comentários mensagens antigas página inicial subscrever mensagens atom
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