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fake souvenir os poemas aqui publicados estão em constante mutação jamais confie em um poema inacabado fake souvenir os poemas aqui publicados estão em constante mutação jamais confie em um poema inacabado blog luana vignon livros outono published 26 03 2014 uncategorized leave a comment o outono tem esse cheiro de passado não sei porquê o outono tem esse cheiro de morte ruas vazias casas vazias cidades inteiras vazias o outono é um vácuo a eternidade segundo borges é uma cópia despedaçada do tempo a murilo e os revolucionários published 26 02 2014 uncategorized leave a comment junto com o outono vieram os vikings os marujos toda sorte de bárbaros e piratas as ruas estão um tanto em pânico um tanto em festa busco semblantes familiares entre os escombros de medo e alegria uma estrutura de concreto armado sustenta meu coração no alto vejo corpos translúcidos lindos carregados por guindastes alguns estão mortos os vivos celebram a ignorância de seus grilhões com adoráveis bolas de ferro atadas ao tornozelo meus olhos são duas granadas meus pulmões são artefatos de guerra palavras são como projéteis que se enchem de pólvora antes de explodirem em chamas sobre a cidade atravesso o elevado costa e silva um senhor tira confetes do cabelo de sua namorada na república uma criança chora suas bolas de gude confundiram se com estilhaços mendigos putas traficantes poetas operários estudantes bêbados atrizes e filósofos todos foram convocados para essa formidável festa de despedida os demais permanecerão em suas trincheiras buscando a sorte em jogos de azar colecionando peças amputadas da realidade dobrando a esquina enquanto uma horda de revolucionários escreve o poema do século em plena praça pública a urgência da sua volta published 21 02 2014 uncategorized leave a comment explico a estante que fica ao lado da cama está repleta de digitais e seus olhos e cada mão sua que tocou um livro venha buscá las me olham com desconfiança a cada dia que digo que não preciso trocar os lençóis tampouco as fronhas eles não sabem mas existem coisas suas ali delicadezas como o cheiro que escapa da sua nuca e restos grosseiros de unhas e pentelhos uma bituca de hollywood fica pendurada no cinzeiro dia após dia tenho preguiça e medo e dúvidas você precisa despejar se a si mesmo é urgente porque não posso não tenho tempo disposição não tenho outras coisas pra colocar nos espaços que ficarão irrevogavelmente vazios porque sou covarde e sinto saudade por isso é urgente que você volte eterno published 30 01 2014 texto 1 comment eternidade é o telefone que não toca é o barulho do portão que se fecha o olhar pousado na nuca de quem vai embora eternidade é o movimento de duas línguas conhecendo a travessia uma da outra é o tempo que o suor dele leva pra secar nas minhas costas eternidade é aquilo que dura um final de semana breve é uma vida inteira aviso este é um texto de ficção published 15 09 2013 texto leave a comment é o que estava escrito do lado de fora do envelope caixa alta dentro um roteiro ele não estava lá quer dizer até estava mas como uma espécie de figurante bonitão e relapso e eu esperando uma jornada do herói porque essa história precisava muito de um clímax um clímax eu disse não essa coleção de anticlímax em que transformaram a minha vida por isso pedi para trocarem os roteiristas dei instruções claras mais walt disney menos arriaga isso da mocinha se foder no final só é legal nos livros e nas telas de cinema na vida real a gente pode se dar bem de vez em quando eu acho por isso pedi pra trocarem os roteiristas bem parece que trocaram senti uma reviravolta e novas tramas foram criadas agora todo cuidado é pouco peço que tomem muito cuidado com os diálogos e atentem para a trilha sonora devo dizer que vocês mandaram muito bem com aquele chico buarque às dez da manhã do domingo continuem assim lembrem se que as subtramas são fundamentais para a dinâmica da coisa mas não exagerem bem o caminho é esse acho que vocês finalmente entenderam ah e quando quiserem dar um toque de tragédia pensem no woody allen gosto dele grata minha casa published 20 06 2013 uncategorized 1 comment está tudo muito bagunçado aqui não vejo o chão sob meus pés não alcanço o teto não sei nem mesmo a cor das paredes desse lugar já foram de tantas cores pelo o que me lembro a minha casa às vezes fica invisível e tenho dificuldade em achar o caminho de volta são centenas de quilômetros entre minha memória e a porta da frente nem sempre a encontro nesses casos me estabeleço num lugar qualquer com um pouco de conforto e comida congelada amigos chegam de vez em quando não muitos alguns aparentemente também não sabem onde fica a minha casa ela não fica em uma rua ela não fica em uma cidade ela não fica em um país a minha casa fica em um lugar estreito quase inacessível a minha casa sou eu tíquete published 17 02 2013 texto leave a comment eu estava lá quando todos deram as costas e subiram no maldito avião eu e meu lenço estúpido eu e minha estúpida vontade de ficar estou aqui só pra dizer que valeu a pena não ter morrido de inanição nessa ilha que carinhosamente apelidei de inferno refrigerado uma homenagem clara a um dos meus autores preferidos não perdi essa mania e nenhuma outra ainda saio distraidamente da mesa durante as refeições ainda gosto de friccionar os lóbulos das orelhas e tomar banhos quentes em dias abafados espero que a viagem tenha sido boa sonhos abandonados não cheiram bem no compartimento de cargas janeiro para mim virou o monte everest published 28 01 2013 uncategorized leave a comment um sol quente que pela manhã tenta aplacar quilômetros de gelo e solidão tudo vazio aqui tudo queimando temperaturas abaixo de zero lágrimas em cubos pequenas distâncias são brutais quando nos falta o oxigênio minha alma longe tudo o que entreguei enterrado sob a neve tudo muito igual ali língua coração palma da mão e até os pequenos lóbulos das orelhas tudo uma coisa só sem importância aqui o ar é rarefeito dói um bocado respirar é a vida não cabendo dentro mim blindagem barata published 28 01 2013 uncategorized leave a comment tenho uma caixa feita de ossos para evitar desvarios de qualquer músculo burro ou tive sei lá o tal músculo bateu inchou murchou deu umas cambalhotas explodiu e se recompôs é assim o canalha a gente se acostuma pior são os estilhaços um pedaço qualquer de alegria que fica preso em lugares de difícil remoção tem o frio na barriga tem o nó na garganta tem uma sensação estranha no céu da boca tem o medo tem o cheiro tem sua imagem desaparecendo aos poucos em meio a nuvens de fumaça cartões de embarque malas roletas russas e saltos no escuro quando olhei no fundo dos teus olhos percebi que redes de proteção seriam inúteis e que absolutamente nada poderia ser feito para impedir que todos meus músculos entrassem em colapso bilhete anônimo nº 5 published 06 12 2012 texto leave a comment não mexam aqui uma dor quando mexida vira qualquer coisa entre a sombra e o desespero uma dor quieta fica bege não tem cheiro deixem me amuada nesse canto onde vezemquando bate uma brisa onde posso ouvir os amigos gargalhando onde escuto ainda o eco de uma promessa contrabandeada às pressas na fronteira intangível dos sentidos próxima página search mais recentes outono a murilo e os revolucionários a urgência da sua volta eterno aviso este é um texto de ficção minha casa tíquete janeiro para mim virou o monte everest blindagem barata bilhete anônimo nº 5 eu mesma clicfolio croniquetaria facebook flickr twitter os outros adão ademir assunção ademir muniz adriana brunstein alexandre frança alice sant anna allan sieber ana guadalupe ana rüshe andré dahmer angélica freitas anselmo bactéria arnaldo branco bruna beber bruno bandido buchinsky caco galhardo camilla lopes carlos carah carlos reichenbach carol helena carola medina cássio koshikumo celia mussili chacal clarah averbuck claudinei vieira cristina livramento daniel cavana douglas diegues douglas kim edson kumasaka fabiana vajman fabio 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