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ituada na encosta que vai do actual centro sul para o pragal para onde foi trabalhar vindo da região de arganil um meu bisavô ao formar família ficámos todos a ser o manuel galo o alexandre galo etc e esta hein vitorino mas agora é sua decisão publicar toda a obra poética que escreveu já bem entendido seleccionada por ele não será fácil encontrar editor mas vitorino não é homem para desistir há neste momento como que uma pressa de originar que isso aconteça e tal pressa levou o a publicar o livro que hoje aqui nos reuniu a todos e que devia ser uma das partes da grande antologia ele celebra dessa forma os 20 anos do produto do seu estado de espírito de então e o nível a que se encontrava o seu poder criativo oxalá a serpente seja capaz de encontrar um editor conhecido e se enrosque no pescoço dele soprando lhe ao ouvido não percas estes poemas não penses só em nomes conhecidos há outros génios a nascer a crescer a produzir poesia válida que precisa de ser divulgada não penses só no lucro que em geral queres meter na máquina registadora há outras formas de ganhar por exemplo a do respeito que a todos merecerá o desafio que para ti representa editar novos valores como o antónio vitorino que bom seria por exemplo aceitares o princípio defendido pelo poeta armindo rodrigues mais que o domínio ambicioso e imundo importa a alegria sobre o mundo sobrepondo um mundo bom às ruínas de um mundo horrendo mas por que digo eu que essa publicação seria um abrir da arca dos segredos do poeta penso que ele o faz também nesse sentido lança um desafio aos seus leitores para que leiam com atenção meditem reflictam descubram através da sua obra poética as fases da sua vida as suas alegrias as suas dores o enigma da razão para tais acontecimentos alguns dos quais tenebrosos desumanos deprimentes que penso eu o levam a refugiar se nos braços da poesia e num debate entre ambos encontrar novas forças que o apeguem à verdadeira vida ao florescimento dos seus ideais de amor fraternidade e solidariedade com este livro começa já a tomar forma o desafio que lança aos seus leitores de reconstituir como se de um puzzle se tratasse o retrato vivo de um homem que repito o que escrevi no prefácio é das vozes mais originais da poesia almadense sarcástica violenta romântica sem pieguices política sem ser panfletária actual de todos os tempos porque tem o homem por dentro porque sabe utilizar as palavras próprias revolucionando as algumas vezes recriando as de outras vezes quando leio e aplaudo a força das palavras de vitorino vem me à memória como o poeta sebastião da gama falava das palavras o poeta não tem à mão senão as palavras joga com elas de modo a lisongear a poesia naquelas qualidades divinas que lhe pressente e como pressente que a poesia é bela e é musical tenta imprimir beleza e musicalidade ao barro humano das palavras mas também como eugénio de andrade esse outro grande poeta definia as palavras poéticas as palavras declarou ele um dia são o ofício do poeta são a nossa condenação e explicava com palavras se ama com palavras se odeia e suprema irrisão ama se e odeia se com as mesmas palavras perigosas ou inocentes e ambas as coisas o são as palavras são o mais veemente testemunho de fidelidade do homem ao homem antónio vitorino sabe escolher as palavras porque quando escreve os seus poemas mesmo na maior solidão fechado sobre si mesmo é capaz de sentir se na cidade de que falava zeca afonso cidade sem muros nem ameias gente igual por dentro gente igual por fora onde o poeta é o homem que olhas nos olhos que não negas o sorriso a palavra forte e justa a palavra de vitorino é forte e justa precisamente porque no silêncio nocturno do seu quarto ou após passar a noite a dormir no interior de um automóvel ele é um homem que olha nos olhos e não nega o sorriso sorriso por exemplo é simples palavra ou mais do que isso numa noite de desespero a palavra sorriso é apenas um esgar de rosto ou é um sol a iluminar e a bater se contra a sombra o negrume a ideia de morte a palavra sorriso a palavra irmão a palavra amor e todas todas as palavras surgem do som musical que o piano cerebral de vitorino toca ao espezinhar as venenosas ervas daninhas da indiferença da exclusão da ofensa da violência é caso para perguntar estas palavras são fortes sólidas é então que sou levado a encontrar me com o poeta melo e castro quando num poema afirmou as palavras só lidas são palavras ou seja escrevo palavras sólidas e leio só lidas antónio vitorino obriga nos a ler as suas palavras a ir ao fundo delas e não a navegar somente à superfície porque vitorino se confunde com a sua palavra é preciso lê lo navegar na profundidade da sua identidade e saudar a dádiva das suas palavras aos outros homens o livro que hoje lançamos pode ser a porta por onde passe humana e transparente essa sua não admitida nem virtual mas efectiva e real missão de poeta o meu desejo antónio vitorino coincide com o que o extraordinário poeta antónio gedeão aconselhou a alguém que ele não nomeou mas faço o eu endereçando lhe os meus votos e nomeando o a si amigo que palpes que oiças que vejas o sonho que anda contigo por isso termino perguntando lhe será esse seu sonho eu por mim penso que sim coincidente com o de eugénio de andrade quando cantou uma cerejeira em flor com estas belas harmoniosas e pacíficas palavras acordar ser na manã de abril a brancura desta cerejeira arder das folhas à raiz dar versos ou florir desta maneira abrir os braços acolher nos ramos o vento a luz ou o que quer que seja sentir o tempo fibra a fibra a tecer o coração de uma cereja lido na sala pablo neruda do forum romeu correia em almada na noite de 16 de dezembro de 2009 alexandre castanheira publicada por debaixo do bulcão à s 04 43 sem comentários sábado 7 de novembro de 2009 uma efeméride motivadora texto de alexandre castanheira prefácio para o livro o ciclo da serpente premonições deveras líricas 1989 poesia de antónio vitorino na colecção index poesis 1 não sei a razão verifico simplesmente que com alguma frequência há pessoas umas conhecidas minhas outras praticamente desconhecidas ou quase que se dirigem até mim com um maço de papéis ou um caderno nas mãos e com uma aparente timidez pedem me para ler poemas seus e dar lhes uma opinião sincera sobre o seu valor quem sou eu para lhes dizer após uma leitura cuidada que os poemas são bons ou maus só respondo por mim pela minha reacção aos temas à forma ao estilo no fundo ao agrado ou desagrado que me provocam ou seja gosto ou não gosto pressinto às vezes que com um apelo meu a um pouco mais de trabalho há versos que poderão ser mais claros mais belos ou sinto que não merece mesmo essa pena não passam de pensamentos que os autores estabelecem em determinados momentos de felicidade ou de angústia de amor ou de revolta aos autores diz lhes muito pois ao lê los revivem a situação e sentem as mesmas emoções do momento que descreveram a todos respondo com sinceridade percebendo que desaponto alguns e entusiasmo outros ora eu apenas lhes transmito o que sinto mais do que fruto de grandes análises literárias ao sabor das modas de cada momento que por aí vão sendo criadas e elevadas a verdades geniais e universais quer em artigos literários quer em decisões de júris de variados prémios apesar de tudo com as minhas concepções já fui responsável pela edição de livros de poesia de alguns jovens também de um muito idoso poeta popular e confesso que não me arrependi e os autores desconhecidos até então continuaram praticamente desconhecidos mas sem terem de se envergonhar da sua abordagem pessoal da poesia frequentemente falta lhes aquele toque do que a poesia é capaz de oferecer em beleza em profundidade em calor humano em generalização sentimental de algo que era individual outras vezes e foi o que me aconteceu agora a beleza está ali à nossa mercê ela possui nos emociona nos faz nos reflectir surpreende nos incomoda nos permite nos sonhar precipita nos para realidades que nos envolvem ou já estavam dentro de nós numa invisibilidade só aparente 2 não se trata de uma surpresa de agora pois ela aconteceu há anos nasceu num breve encontro na rua mas à frente da oficina de cultura nos tempos gloriosos em que esta se situava no campo de são paulo antes de virar sala de teatro numa noite de actividade cultural ao ar livre em que as pessoas que assistiam podiam colaborar subindo a um palco instalado diante da oficina a certa altura um jovem franzino com um ar triste e como que envergonhado subiu ao palco e disse um poema seu antes como depois poetas ditos com nome também o fizeram era fatal não lhes faltaram as palmas com que quase foi ignorado o atrevimento do jovem por mim procurei o felicitei o e entusiasmei o a mais gestos de ousadia a dar a conhecer mais poemas seus e soube que se chamava antónio vitorino sugeri lhe que me aparecesse na biblioteca da incrível almadense para conversarmos mas infelizmente tal não aconteceu aderira a uma associação de que eu contestava a existência em virtude dos seus objectivos reais hegemónicos no panorama cultural almadense em detrimento das associações e colectividades algumas delas com décadas de trabalho em prol do desenvolvimento progressista da cultura do povo um centro cultural a que as principais colectividades chamavam centro comercial e onde eu também não gozava de qualquer consideração ao longo dos anos só raramente o fui vendo num transporte público ou numa qualquer actividade cultural embora tomando conhecimento por outras pessoas do seu constante interesse pela poesia e por uma espécie de activa militância cultural de franco atirador e nos dois últimos anos graças à feliz existência e persistente acção da associação dos poetas almadenses e das suas sessões mensais de poesia vadia voltei finalmente a encontrar o vitorino a ouvi lo dizer um ou outro poema seu e mesmo a ter com ele pequenas conversas sobre arte literatura política ou sobre o debaixo do bulcão a publicação por que ele se bate corajosamente e onde tem dado a conhecer novos talentos poéticos continua triste e tímido sofredor e criador sente necessidade de se dar a conhecer como poeta de juntar as muitas centenas de folhas em que tem vindo a falar de si dos outros da sociedade do mundo e a reflectir sobre tudo isso consigo mesmo por onde começar com a sua infinidade de versos ele próprio sugeriu que se editasse uma selecção de poemas escritos há vinte anos um dos vários ciclos em que se tem organizado a sua poesia este tem um nome ciclo da serpente 1989 pediu me agora opinião pareceu me bem como forma de iniciar a publicação da sua obra poética o celebrar dessa efeméride que assim se tornou motivadora do acto urgente de encetar a divulgação da desejada obra que esperamos tenha continuidade 3 mas o poeta antónio vitorino quer mais opinião pessoal sobre o que nesse ciclo escreveu acedi com gosto pois creio não enganar ninguém ao afirmar que estamos perante um dos melhores valores da poesia escrita por homens e mulheres de almada creio que não seria difícil ligar a generalidade dos seus poemas à vida atribulada e dolorida de que o próprio vitorino nos fez um dia um amargurado relato no seu blogue como poderia ser um jovem a desabrochar alegre e esperançosamente à vida e ao futuro sofrendo terrivelmente da ausência de afectos e carinhos como vê lo a cantar o amor pleno de felicidade vivendo um estranho isolamento no seio de gente que não sabe nem quer saber o que é amar e que ainda por cima cataloga de anormalidades as normais reacções desequilibradas pela enormidade do abandono do desprezo das violências e agressões numa palavra do desinteresse total pela felicidade do poeta não é por aí contudo que desejamos ir vamos refrear os ideais de solidariedade pois não nos cabe analisar uma vida mas sim neste caso o ciclo da serpente 4 são dezassete poemas de 1989 oito anos depois de ter começado a guardar os poemas que escrevia no que então 1981 escrevia penso que deve ter sido dessa época aquele que o ouvi dizer e me fez nunca mais esquecer o seu jovem autor era deste género tu cresces e vives sempre rodeado de gente que se preocupa em te ensinar e educar segundo padrões feitos ensinam te a cumprir as leis destas paragens a arte de fazer carreira a desdenhar o que não querem que entendas a ser o que eles querem que sejas fazem de ti uma máquina um robot um ser civilizado um ser bem educado num ciclo posterior mas antes do da serpente por si denominado poemas biológicos 1985 anunciava quando mais tarde vier o dilúvio retomarei o meu caminho mas logo em 1986 é peremptório quanto ao caminho já nada me espanta morri afinal tratava se certamente da morte de outros caminhos visto que em 1989 no ciclo da serpente diz já se encontrar no caminho retomado nele mostra se senhor de uma poesia onde é visível o homem que para sempre recusou ser robot civilizado e passou a ser simplesmente ele ou seja um eu onde a lucidez essa atitude que para os formadores dos padrões feitos é estranha ou mesmo louca circula por todas as suas criativas veias e transforma se em poesia ao contrário da serpente que rasteja o poeta deixa a marca dos seus firmes passos poemas num caminho onde não encontraremos passarinhos cantando idílicas paisagens nem hinos à vida em que o desejavam condicionar o seu canto mesmo que desesperado é à vida que tão bem conhece uma espécie de navegação em mar agitado e onde de bússola na mão procura singrar a caminho de um futuro livre e feliz mas talhado ou adaptado por si próprio se assim não for o mundo é o das serpentes arrastando se na solidão do impossível por entre o estertor das pedras em infindáveis horas soturnas são as serpentes dos dias ácidos que se escondem numa pesada jaula dos silêncios existente no percurso onde o poeta inventa labirintos antónio vitorino qual pássaro em arestas gera neste ciclo de poemas um momento introspectivo e toma consciência de estar diz ele vago em mim nessas circunstâncias qualquer um procuraria possivelmente preencher o vazio com álcool que para si é flor de vício ao contrário como o afirma em vários dos seus poemas deste ciclo sente dever dar atenção à raiva e não se refugiar em qualquer dissimulação e porque possuído de um desejado súbito entendimento vai simular o voo da contradição entre o frio da solidão e o desejo ardente talvez que o poeta pudesse na ingrata margem esquerda da ribeira do amor não aceitar o cinismo de um tiro na cabeça uma corda no pescoço mas sabe que tal alegoria submersa não é ainda o verso o problema o poema e conclui ingrata margem difícil poema vitorino anda afinal em busca do poema que o satisfaça libertando o das vagas altaneiras de todas as pressões e todas as violências que tentam submergi lo começa por querer encontrar no poema uma face mas se a tem é uma face difícil de contornar pois as palavras parecem elas próprias ser o domínio da serpente e sob o gelo das palavras o poema esfuma se tanto recusando o lirismo insuportável como o sarcasmo 5 este retrato possível entre alguns outros de igual possibilidade ...
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